sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Justiça Militar manda prender quatro PMs suspeitos do desaparecimento de dois jovens


A Justiça Militar decretou a prisão temporária por 30 dias de quatro PMs suspeitos de estarem envolvidos no desaparecimentos de dois jovens, na zona sul de São Paulo. O corpo de uma das vítimas, o vigilante Emerson Heida, foi encontrado no último dia 10 nas proximidades da estrada da Ponte Seca, região de Parelheiros.

Um tenente, um sargento e dois soldados foram levados para o Presídio Militar Romão Gomes, em Tremembé, na zona norte da capital.

Durante a investigação do caso, a Corregedoria da Polícia Militar identificou disparidade de quilometragem em um veículo da Força Tática utilizado por um tenente e três soldados no dia em que abordaram as vítimas. De acordo com o primeiro-tenente Claudio Cesar Capelani, porta-voz da Corregedoria da Polícia Militar, a viatura apresentava mais que o dobro da quilometragem dos demais carros.

Depois de identificada a irregularidade, a Polícia Científica periciou o carro usado pelos policiais. Foram localizados vestígios de sangue humano no compartimento onde os detidos são transportados. O material colhido foi confrontado com o DNA dos familiares das vítimas e do corpo carbonizado de Emerson. Na noite desta quarta-feira (4), a Polícia Científica confirmou que o sangue era do vigilante.

Outra descoberta da corregedoria é que um dos policiais suspeitos de participar do desaparecimento dos jovens tinha uma desavença com o vigilante, devido a uma agressão que supostamente teria sofrido antes de se tornar militar.

No dia 11 de outubro, outro corpo foi localizado em Parelheiros, próximo ao local onde Emerson Heida foi localizado. Mas, segundo o porta-voz da corregedoria, não é possível afirmar que ele seja de Edson. A polícia aguarda o resultado dos laudos da perícia.

Entenda o caso

Emerson Heida estava desaparecido há mais de um mês, desde que ele e o amigo Edson Edney da Silva, de 27 anos, foram revistados por policiais militares na região de Cidade Dutra, zona sul de São Paulo, e nunca mais foram vistos. O corpo de Silva ainda não foi localizado.

O Kadett de 1994 usado pelas vítimas foi encontrado carbonizado na noite de 14 de setembro, em uma travessa de chão batido da estrada do Jaceguai. Na data do desaparecimento, Heida pegou o carro emprestado da sogra para levar seu irmão Anderson, de 26 anos, até o trabalho, em uma loja de carros em São Bernardo, no ABC paulista, acompanhado do amigo Edson.

Segundo familiares, Emerson não tem habilitação para dirigir, e o veículo estava com o licenciamento atrasado, mas ele decidiu ajudar o irmão recém-contratado.

No início da noite, Emerson deixou o irmão no ponto de ônibus do largo do Rio Bonito, no bairro do Socorro, e pegou o retorno para voltar para casa. Anderson disse que entrou no ônibus e, de dentro do coletivo, viu Emerson e Edson parados no cruzamento das avenidas Robert Kennedy e Professor Papini. Ambos estavam fora do Kadett, com as mãos para trás e conversando com PMs.

Anderson seguiu para o trabalho e, no caminho, ligou para a mulher de Emerson, Aline Christina Valentim, de 25 anos, para checar se ele voltara para casa, e ela disse que não.

Fonte: R7

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